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Carolina Maria de Jesus

Atualizado: Ago 6

Nã›o é todo dia que uma escritora brasileira vende 1 milhão de exemplares. Mesmo assim, Carolina Maria de Jesus é pouquíssimo conhecida no país.


“Eu sou negra, a fome é amarela e dói muito”


As chances de se tornar uma escritora eram pequenas: negra, nascida na favela, catadora de papel, neta de escravos e filha de pais analfabetos, conseguiu estudar e rapidamente pegou gosto pela leitura.


Já adulta, escrevia sobre a vida nas favelas nos cadernos que encontrava e publicou em 1960 “Diários de uma Favelada”, que acabou virando best-seller e foi vendido em 40 países.


Esquentei o arroz e o peixe e dei para os filhos. Depois fui catar lenha. Parece que vim ao mundo predestinada a catar. Só não cato felicidade.”


A partir de então escreveu mais obras e conquistou uma ascensão social, mesmo sem se casar, já que não queria ser submissa a um homem. Ainda assim, criou três filhos sozinha.

Vesti os meninos que foram pra escola. Eu saí e fui girar para arrancar dinheiro. Passei no frigorífico, peguei uns ossos. As mulheres vasculham o lixo procurando carne para comer. Elas dizem que é para os cachorros. Até eu digo que é para os cachorros.”

Quando vejo meus filhos comendo arroz e feijão, o alimento que não está ao alcance do favelado, fico sorrindo atôa. Como seu eu estivesse assistindo um espetáculo deslumbrante.”


O retrato realista da vida nas favelas no meio do século passado não poderia ser mais atual.

Carolina nos cala diante do absurdo normatizado.



Tags: carolina de jesus, mulher que inspira, escritora brasileira

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